Orações Subordinadas Adverbiais 9º ano B

Informe o sentido das orações subordinadas adverbiais a seguir:
1.Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de minha vida.
2.As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
3.Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve alternativa a não ser cancelá-lo.
4.Já que você não vai, eu também não vou.
5.É feio que dói. (É tão feio que, em consequência, causa dor.)
6.Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou concretizando-os.
7.Não consigo ver televisão sem bocejar.
8.Sua fome era tanta que comeu com casca e tudo.
9.Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, certamente o melhor time será campeão.
10.Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o contrato.
11.Caso você se case, convide-me para a festa.
12.Não saia sem que eu permita.
13.Conhecendo os alunos (= Se conhecesse os alunos), o professor não os teria punido.
15.Irei mesmo que ele não vá.
16.Embora fizesse calor, levei agasalho.
17.Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos metade da população continua à margem do mercado de consumo.
18.Foi aprovado sem estudar 19.Ele dorme como um urso.
20.Sua sensibilidade é tão afinada quanto a sua inteligência.
21.O orador foi mais brilhante do que profundo.
22.Fiz o bolo conforme ensina a receita.
23.Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm direitos iguais.
24.Segundo atesta recente relatório do Banco Mundial, o Brasil é o campeão mundial de má distribuição de renda.
25.Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos.
26.Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada entrasse.
27.À proporção que estudávamos, acertávamos mais questões.
28.Visito meus amigos à medida que eles me convidam.
29.Quanto maior for a altura, maior será o tombo.
30.Na medida em que não há provas contra esse homem, ele deve ser solto.
31.Quando você foi embora, chegaram outros convidados.
32.Sempre que ele vem, ocorrem problemas.
33.Mal você saiu, ela chegou.
34.Terminada a festa, todos se retiraram.
35. Quando o deputado chegou, todos o vaiaram.
36.Mal o jogo terminou, os torcedores comemoraram.
37.O povo vaiou tanto que o vereador saiu mais cedo.
38.O prefeito pediu silêncio a fim de que pudesse falar.
39.O jogador marcou o gol conforme prometera.
40.Este jogador é arisco como um gato.
41.Caso Neymar jogue, convide-me para o jogo.
42.Embora estivesse sem ânimo, o goleiro fez belas defesas.
43.Uma vez que o jogador não marcou o gol, os torcedores saíram angustiados.
44.À medida que o governador falava, o povo vaiava.
45. Embora houvesse uma fresta, a escuridão pareceu-me total. (Jorge Luís Borges)
46. O cyberbullying é um problema crescente justamente porque os jovens usam cada vez mais a tecnologia.
47. Quanto mais conheço os ditadores, mais eu amo meu cachorro. (Zé Geraldo)
48. Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim. (“Folhetim” – Chico Buarque)
49. A fim de que todos participassem, o prazo de inscrição foi prorrogado.
50. A minh’alma chorou tanto que de pranto está vazia. (Milton Nascimento)
51. Segundo dizem os médicos, a atividade física deve ser sempre monitorada.
52. Quando tiver essa sensação de felicidade, não deixe ninguém arrancá-lo desse lugar.
53. Verdes mares que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente. (José de Alencar)
54. Desde que o professor permita, você poderá realizar outro teste.
55.Ainda que eu salve o ratinho branco, outro terá de morrer em seu lugar. (GuimarãesRosa)
56. Conquanto tivesse dinheiro, mantinha sua vida pacata e humilde.
57. À medida que a ciência avança, nossa compreensão do universo se expande.
58. Quando levantei a cabeça, dei com a figura de Capitu diante de mim. (Machado deAssis)
59. Visto que D. Glória concordara, ele começou a colocar em prática seu plano.
60. A pedreira erguia-se como um monstro iluminado na sua paz. (Aluísio Azevedo)
61. Tenho de subornar um guarda para que liberte o ratinho branco da jaula da cascavel. (Guimarães Rosa)
62. Como tínhamos previsto, todos terminaram os testes no prazo adequado.
63. Ele se esforçou tanto que conseguiu passar em 3 vestibulares.
64.Se todos cooperarem, atingiremos nosso objetivo.
65.Iracema corria como a ema selvagem.
66.Quando cheguei ao apartamento, fui logo dormir.

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Atividades de Língua Portuguesa 8º anos ‘A’ e ‘B’ ArteCeb

POVO

Luís Fernando Veríssimo

— Geneci…

— Senhora?

— Preciso falar com você.

— O que foi? O almoço não estava bom?

— O almoço estava ótimo. Não é isso. Precisamos conversar.

— Aqui na cozinha?

— Aqui mesmo. O seu patrão não pode ouvir.

— Sim, senhora.

— Você…

— Foi o copo que eu quebrei?

— Quer ficar quieta e me escutar?

— Sim, senhora.

— Não foi o copo. Você vai sair na escola, certo?

— Vou, sim senhora. Mas se a senhora quiser que eu venha na Terça…

— Não é isso, Geneci!

— Desculpe.

— É que eu… Geneci, eu queria sair na sua escola.

— Mas…

— Ou fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Não agüento ficar fora do Carnaval.

— Mas…

— Vocês não têm, sei lá, uma ala das patroas? Qualquer coisa.

— Se a senhora tivesse me falado antes…

— Eu sei. Agora é tarde. Para a fantasia e tudo o mais. Mas eu improviso uma baiana. Deusa grega, que é só um lençol.

— Não sei…

— Saio na bateria. Empurrando alegoria.

— Olhe que não é fácil…

— Eu sei. Mas eu quero participar. Eu até sambo direitinho. Você nunca me viu sambar? Nos bailes do clube, por exemplo. Toca um samba e lá vou eu. Até acho que tenho um pé na cozinha. Quer dizer. Desculpe.— Tudo bem.

— Eu também sou povo, Geneci! Quando vejo uma escola passar, fico toda arrepiada.

— Mas a senhora pode assistir.

— Mas eu quero participar, você não entende? No meio da massa. Sentir o que o povo sente. Vibrar, cantar, pular, suar.

— Olhe…

— Por que só vocês podem ser povo? Eu também tenho direito.

— Não sei…

— Se precisar pagar, eu pago.

— Não é isso. É que…

— Está bem. Olhe aqui. Não preciso nem sair na avenida. Posso costurar. Ajudar a organizar o pessoal. Ajudar no transporte. O Alfa Romeo está aí mesmo. Tem a Caravan, se o patrão não der falta. É a emoção de participar que me interessa, entende? Poder dizer “a minha escola…”. Eu teria assunto para o resto do ano. Minhas amigas ficariam loucas de inveja. Alguns iam torcer o nariz, claro. Mas eu não sou assim. Eu sou legal. Eu não sou legal com você, Geneci? Sempre tratei você de igual para igual.

— Tratou, sim senhora.

— Meu Deus, a ama-de-leite da minha mãe era preta!

— Sim, senhora.

— Geneci, é um favor que você me faz. Em nome da nossa velha amizade. Faço qualquer coisa pela nossa escola, Geneci.

— Bom, se a senhora está mesmo disposta…

— Qualquer coisa, Geneci.

— É que o Rudinei e Fátima Araci não têm com quem ficar.

— Quem?

— Minhas crianças.

— Ah.

— Se a senhora pudesse ficar com eles enquanto eu desfilo…

— Certo. Bom. Vou pensar. Depois a gente vê.

— Eu posso trazer elas e…

— Já disse que vou pensar, Geneci. Sirva o cafezinho na sala.

VOCABULÁRIO
1) Procure, no texto, sinônimos das palavras abaixo:
a) fileira:
b) invento, arranjo:
c) imagem:
d) animada, preparada:

2) Em relação às afirmações a seguir, assinale a alternativa correta.
I – “Mas eu quero participar, você não entende? No meio da massa.” – é correto afirmar que a expressão destacada significa “no meio do povo”.
II – “Alguns iam torcer o nariz, claro” – A expressão destacada significa “gostar, apreciar”.
III – “”Até acho que tenho um pé na cozinha. Quer dizer. Desculpe.” – A expressão significa “não ter origem nobre; ser serviçal de alguém”.
IV – “O Alfa Romeu está aí mesmo” – O nome destacado refere-se ao marido da personagem.
V – “Meu Deus, a ama de leite da minha mãe era preta!” – “Ama de leite” é a mulher que amamenta filho(a) de outra mulher.

a) Todas as alternativas estão corretas.
b) Nenhuma alternativa está correta.
c) As alternativas II e IV estão incorretas.
d) As alternativas I, II e III estão corretas.
e) As alternativas III, IV e V estão incorretas.

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
1) A patroa e a empregada conversam em que lugar da casa e por quê?

2) Sobre o que Geneci imaginava que seria a conversa?

3) Que argumentos a patroa utiliza para convencer Geneci a deixá-la participar do desfile?

4) Quais os dois reais motivos de a patroa querer participar do Carnaval?

5) “Por que só vocês podem ser povo? Eu também tenho direito.” O que essa expressão, dita pela patroa, quer dizer?

6) “Eu não sou legal com você, Geneci? Sempre tratei você de igual para igual”.
a) Qual a forma de tratamento usada por Geneci para se dirigir à patroa e qual a forma de tratamento usada pela patroa para se dirigir à Geneci?
b) A relação entre empregada e patroa realmente era de igual para igual? Justifique:

7) Há diferença étnica entre patroa e empregada? O que se pode deduzir em relação à cor das personagens?

8) A patroa disse a Geneci que estava disposta a qualquer coisa para desfilar pela escola.
a) Qual foi o meio que Geneci encontrou para que ela colaborasse com a escola?
b) A patroa aceitou o que Geneci propôs?

9) O texto faz uma crítica a qual comportamento social?

ATIVIDADES GRAMATICAIS – REVISÃO 8º ANO
1) Retire, do texto, 3 substantivos abstratos.

2) Há, no texto, 2 substantivos próprios que não se referem a nomes de pessoas, mas sim a marcas. Quais são esses substantivos e o que eles nomeiam?

3) Quais os pronomes de tratamento utilizados entre patroa e empregada?

4) Derive substantivos de:
a) copo:
b) baile:
c) cozinha:

5) Sublinhe os adjetivos e indique quais substantivos eles caracterizam:
a) “O almoço estava ótimo”.
b) “Minhas amigas ficariam loucas de inveja”.
c) “Meu Deus, a ama de leite da minha mãe era preta.”
d) “Em nome da nossa velha amizade.”

6) Reescreva as frases passando os pronomes destacados para os indicados entre parênteses. Faça a concordância necessária.
a) “Mas eu improviso uma baiana”. (pronome pessoal reto – 1ª pessoa do plural)
b) “Eu teria assunto para o resto do ano”. (pronome pessoal reto – 3ª pessoa do plural)
c) “Eu também tenho direito”. (pronome pessoal reto – 2ª pessoa do singular)
d) “Se precisar pagar, eu pago.” (pronome pessoal reto – 3ª pessoa do singular)

7) Reescreva as frases abaixo, substituindo os termos sublinhados pelo pronome adequado:
a) “É que o Rudinei e Fatima Araci não têm com quem ficar.”
b) “Meu Deus, a ama de leite da minha mãe era preta!”
c) “Minhas amigas ficariam loucas de inveja”.
d) “Tem a Caravan, se o patrão não der falta.”

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LIVRO – A MARCA DE UMA LÁGRIMA

A marca de uma lágrima

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MORFOSSINTAXE DO LATIM

MORFOSSINTAXE DO LATIM

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Tópicos de Semântica 1º ano do Ensino Médio em power point

Semântica -1 Semântica-2

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Garoto nota mil escreve um livro

• Thomaz Britto, de 19 anos, diz que o mais importante para construir um bom texto é ter uma posição sólida e embasada diante do tema
• Para se preparar para a prova, aluno de Campos dos Goytacazes fazia uma redação por semana e lia jornais e livros de história

Após tirar nota 1.000 na redação do Enem, Thomaz Britto, de 19 anos, escreve livro com dicas para a prova
RIO – Depois de ouvir de diversos professores que tinha jeito para escrever, Thomaz Muylaert de Carvalho Britto resolveu acreditar da opinião de seus mestres e investir nas redações do colégio. Então aluno do Colégio João XXIII pH, de Campos dos Goytacazes, ele passou a acompanhar com empenho jornais, revistas semanais, ler sobre atualidades na internet e também literatura, além de estudar gramática e estrutura de texto. O esforço foi recompensado e Thomaz tirou nota mil na redação do Enem 2013. Empolgado com o sucesso, o garoto, hoje com 19 anos e cursando Direito na UFF, em Niterói, já está procurando uma editora para seu primeiro livro, “Dicas de redação para o Enem”, que escreve desde setembro.
Já vinha reunindo as dicas mais importantes para se dar bem na redação do Enem, mas, antes de publicar qualquer coisa, queria ter certeza de que minha teoria tinha dado certo! Então, em janeiro, quando saíram as notas da prova, vi que tinha tirado mil na redação, e patenteei o título do livro – conta Thomaz, que chegou a ser monitor de redação na unidade de Niterói, e ainda dá aulas particulares.
Uma das maiores motivações para o estudante escrever o guia foi sua experiência pessoal em um curso de redação famoso de sua cidade natal. Segundo Thomaz, as aulas “fizeram mais mal do que bem”.
– Os professores incentivavam que utilizássemos recursos artificiais nos textos, ou seja, fórmulas para criarmos o texto argumentativo que o Enem pede. Mas isso é um conselho furado. Não concordo que o aluno deva usar nenhuma fórmula ou frase pronta. Ele precisa aprender a passar para o papel sua própria visão sobre o tema proposto pela prova – argumenta o estudante nota mil.
Para Thomaz, apesar dos erros de português e concordância serem inimigos de uma redação exemplar, nada é mais fatal do que argumentos fracos.
– O principal é descobrir o seu posicionamento diante do tema proposto e desenvolver uma tese a partir dele, encontrando argumentos que sustentem seu ponto de vista. No caso do Enem 2013, a proposta de redação falava sobre os efeitos da Lei Seca. Então escolhi enumerar os pontos positivos da lei para a sociedade, embasando sempre os argumentos em dados apresentados pelos textos que acompanham a prova e também em artigos que li – lembra Thomaz.
O expert ressalta que é essencial se atualizar sobre os assuntos em voga no país e no mundo, justamente para adicionar à redação informações complementares, ou seja, que não estão nos textos de apoio da prova.
– A banca de correção valoriza quem está antenado com o mundo. O que a gente lê nos livros de história, geografia e nos jornais servem para dar embasamento ao texto – afirma

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/educacao/estudante-nota-1000-escreve-livro-com-dicas-para-redacao-do-enem-12082418#ixzz2y84oMO00

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PROPOSTA DE REDAÇÃO PROPOSTA 07

 

Conheça a história dos ‘rolezinhos’ em São Paulo

Evandro Farias de Almeida é a Lala Rudge da periferia paulistana. Assim como a blogueira de moda cujo nome faz estremecer certo público — no caso dela, qualquer adolescente de classe média iniciada no tema —, Evandro é autoridade no assunto. Qual? Bem, nenhum.

Ele não canta, não dança, não aparece na televisão e é um ilustre desconhecido para a maioria dos brasileiros. Mesmo assim, Evandro não dá dez passos no Shopping Metrô Itaquera nem no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, sem ser abordado por dezenas de meninos e meninas. São seus ardorosos fãs. A notoriedade de blogueiras famosas como Lala vem de posts em que elas mostram como se vestem, se maquiam e o que acabaram de comprar. Já a de Evandro e de outros ídolos da internet na Zona Leste vem dos vídeos que eles postam na rede — piadinhas ingênuas e bizarrices como aspirar uma camisinha pelo nariz e retirá-la pela boca, raspar uma das sobrancelhas e tirar fotos fingindo-se de morto, com algodão no nariz. Façanhas como essas lhe renderam 13 000 seguidores no Facebook, além de regalias como ter o crédito de seus celulares pré-pagos permanentemente recarregado por cortesia das admiradoras. Foi para conhecê-las pessoalmente — e dar a elas a oportunidade de pedir autógrafos e tirar fotos com ele — que Evandro e seus colegas de fama passaram a marcar em shoppings da região as reuniões que, até o ano passado, chegavam a juntar milhares de adolescentes. Foram esses “encontros de fãs” que deram origem aos hoje mal compreendidos, distorcidos e manipulados rolezinhos.

Eles continuam significando encontros-em-shoppings-marcados-pela internet, aos quais continuam comparecendo centenas e até milhares de adolescentes — a diferença é que esses adolescentes agora deram para correr em bandos pelos corredores, berrando refrões de funk ostentação, assustando lojistas, frequentadores e, ocasionalmente, cometendo furtos. De tudo o que se falou na semana passada sobre os rolezinhos, o maior equívoco diz respeito à crença de que eles foram inventados por pobres jovens revoltados por sua exclusão da sociedade de consumo. Para começar, famosinhos e fãs de famosinhos — os participantes originais dos rolezinhos — são, para usar o termo tão em voga, a elite da periferia. O único problema que têm em relação ao consumo é não o praticarem tanto quanto gostariam. Conectados e obcecados por marcas e acessórios de grife, têm o hábito de gastar com eles boa parte do salário (o próprio ou o dos pais).

Evandro, por exemplo, gosta de comprar camisetas Abercrombie & Fitch e John John. O boné laranja que usava na última quinta-feira é o preferido entre os sete que possui — das marcas Puma, Mizuno e Nike. Ele compra as peças em outlets, que vendem coleções passadas e têm preços mais em conta. Mas poderia adquiri-las também em shoppings luxuosos como o JK Iguatemi e o Cidade Jardim. Evandro, no entanto, nunca pôs os pés nesses lugares — nem pretende fazê-lo. Essa afirmação coincide com a de praticamente todos os adolescentes da periferia paulistana entrevistados por VEJA na semana passada. E contraria o que foi amplamente disseminado por neoespecialistas em rolezinho: os adolescentes da periferia, conscientizados do fosso de impossibilidades que os separa dos seus equivalentes mais ricos, estariam prontos a promover invasões nos shoppings chiques — manifestações simbólicas contra os templos de consumo dos quais estariam apartados. Sobre essa possibilidade, diz Evandro: “Por que eu iria ficar duas horas dentro de um ônibus para fazer compras num lugar em que tudo é mais caro e ninguém me conhece?

‘Rolezinho’ organizado por jovens pelo Facebook no shopping Itaquera – Robson Ventura/Folhapres

Em junho do ano passado, o até então obscuro Movimento Passe Livre conseguiu levar às ruas uma multidão de indignados que, em manifestações multitemáticas e apartidárias, se espalharam por todo o país. O que aconteceu em seguida todos se lembram. O PT, por meio de seu presidente, Rui Falcão, tentou surrupiar para si o movimento, no que foi prontamente rechaçado pelos manifestantes. Em seguida, com intuito semelhante e abrindo alas para os famigerados e violentos black blocs, vieram os sem-teto, os sem-terra, os sem-causa. A partir daí, fim da história, os bem-intencionados acharam que era hora de voltar para casa.

O rolezinho segue caminho parecido. Na quinta-feira, sem nenhum pudor pelo oportunismo explícito, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto convocou o que chamou de “rolezão” diante de um shopping de São Paulo. O estabelecimento cerrou as portas antes que as coisas piorassem. Na quarta, foi a vez de a até agora silenciosa e irrelevante ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros (PT), tentar tirar sua casquinha. “As manifestações são pacíficas. Os problemas são derivados da reação de pessoas brancas que frequentam esses lugares e se assustam com a presença dos jovens”. A ministra — certamente não por falta de tirocínio — desprezou em sua frase duas obviedades: que não é obrigatório ser branco para assustar-se diante da visão de centenas de jovens correndo e gritando pelos corredores de um shopping e que os shoppings que foram alvo dos rolezinhos não são frequentados apenas por brancos — subentenda-se na fala da ministra, ricos —, mas pelos próprios adolescentes da periferia, suas famílias e seus vizinhos.

No shopping de Itaquera, onde o fenômeno primeiro chamou atenção, apenas 8% dos frequentadores têm renda mensal acima de 2 780 reais — 33% são das classes C e D, nas quais o ganho não ultrapassa 1 120 reais por mês. Até agora, todos os rolezinhos que ocorreram em São Paulo tiveram como palco shoppings da periferia: os de Itaquera, Guarulhos, Interlagos e Campo Limpo. Fora desse eixo, o que houve foram tentativas malsucedidas de emular o fenômeno, organizadas pelos suspeitos de sempre — representantes de movimentos sociais em baixa e apropriadores profissionais de causas alheias. A convocação para um rolezinho no Shopping JK, por exemplo, não partiu de nenhum adolescente da periferia, mas de um professor de piano, morador de um bairro paulistano de classe média e apoiador do ex-ministro e hoje presidiário José Dirceu (“Condenada foi a democracia brasileira”, postou ele no FB ao lado de uma foto do petista com o punho erguido). Da mesma forma, o chamado para uma invasão do Shopping Iguatemi de Brasília, marcada para o próximo dia 25, não teve o dedo de famosinhos da Zona Leste nem de seus fãs: está sendo organizado por um estudante da UnB que participou da invasão do Congresso em junho passado.

“Rolezinho é para ver os parça (parceiros), curtir, comer lanche e beijar na boca”, define Vinicius Andrade, 17 anos, morador do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Filho de uma assistente de cozinha, ele trabalha como assistente de dentista, diz que chega a ganhar até 1  000 reais por mês e usa mais da metade do salário para comprar as roupas de grife que ostenta, como a camiseta Tommy Hilfiger e o par de óculos Oakley — tudo legítimo, já que a regra de ouro da ostentação na periferia é que nada pode ser falsificado (“A gente vê de longe quando uma camiseta da Hollister é colada e não costurada”, diz a rolezeira Barbara Machado, 17 anos). Na condição de famoso da internet (tem 83 000 seguidores), Vinicius já convocou dois bem-sucedidos rolês, ambos no Shopping Campo Limpo — o terceiro, marcado para acontecer no dia 21 de dezembro, foi abortado pela Polícia Militar. Além dos rolezinhos e dos passeios no shopping, ele e seus amigos são frequentadores dos “fluxos”, como são chamados os bailes funk organizados no meio da rua em torno de carrões com som potente e ambulantes que vendem bebidas. Uísque e rum são o combustível para a dança, assim como maconha e lança-perfume, consumidos por uma parcela menor do público. Uma lei municipal, sancionada em 2013, proibiu carros estacionados em ruas públicas de emitir som alto, especialmente à noite — e a Polícia Militar passou a agir com bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar a multidão. Na opinião de alguns jovens, isso ajudou a aumentar a popularidade dos rolezinhos.

Olhados como são, os adolescentes dos rolezinhos decepcionam os que tentam ajustá-los aos seus moldes ideológicos. Suas bandeiras são os bonés de marca, seu interesse é se divertir e, se querem manifestar alguma coisa com as badernas nos shoppings, é apenas o pior do comportamento adolescente: irritante, egoísta, inconsequente e que inclui, obrigatoriamente, o desafio a algum tipo de autoridade.

Os black blocs já estão espalhando nas redes que vão aderir aos rolezinhos. Movimentos sociais, como os capitaneados pela ministra Luiza Bairros, também não parecem querer largar o osso. Assim, diante da aterrissagem de oportunistas na cena e dos previsíveis excessos da polícia na hora de reprimir todo mundo, o resultado pode ser o que nem os rolezinhos até agora conseguiram produzir: tirar da classe média o espaço que ela enxerga como um oásis de tranquilidade e segurança e acabar com a diversão dos pobres de verdade, que nem bem chegaram à festa e já terão de levar a família para tomar sorvete em outro lugar.

Com reportagem de Pieter Zalis

Shoppings são contra aglomerações de jovens marcadas via redes sociais.
Encontros ganharam repercussão na capital paulista em dezembro de 2013.

Desde o fim de 2013, jovens têm organizado encontros pelas redes sociais, principalmente, em shoppings da capital paulista e da Grande São Paulo. Os eventos ficaram conhecidos como “rolezinhos”. A primeira iniciativa a ganhar repercussão aconteceu no Shopping Metrô Itaquera, Zona Leste de São Paulo, em 8 dezembro.  Algumas lojas fecharam com medo de saques e o centro comercial encerrou o expediente mais cedo.

Este tipo de encontro em lugares públicos-privados não é propriamente uma novidade em São Paulo. E não começaram especificamente no ano passado. Estacionamentos de supermercados e postos de gasolina também são corriqueiramente ocupados nas noites e madrugadas aos finais de semana por um grupo que quer se fazer ouvir – ou apenas se divertir – independentemente do estilo musical que entoa.

Os organizadores definem os encontros como um “grito por lazer” e negam qualquer intenção ilegal, mas viraram alvo de investigações policiais.

Em 8 de dezembro, o “rolezinho” no Shopping Metrô Itaquera reuniu cerca de seis mil adolescentes, segundo a administração do centro comercial.  Houve tumulto, a polícia foi acionada e o shopping fechou uma hora e meia mais cedo. Na época, pessoas que se identificaram como clientes e lojistas comentaram na página do Facebook do shopping que houve arrastão e furtos naquela noite de sábado. A administração negou a onda de furtos. Na época, o G1 apurou que três pessoas foram presas por roubo.

O segundo encontro, que reuniu 2,5 mil pessoas, aconteceu no Shopping Internacional de Guarulhos, em 14 de dezembro.  Clientes relataram que houve tumulto nos corredores do centro comercial. Embora não tenha havido registro de feridos nem roubos, pelo menos 22 suspeitos foram levados para uma delegacia da cidade na região metropolitana de São Paulo. Eles foram averiguados e liberados em seguida.

Em 22 de dezembro, às vésperas do Natal, época em que os shoppings da cidade ficam lotados, o “rolezinho” aconteceu no Shopping Interlagos, na Zona Sul de São Paulo. Dez equipes da Polícia Militar foram mobilizadas. Não houve registro de furtos, porém, quatro participantes foram detidos.

Eventos em 2014
O primeiro encontro deste mês de janeiro aconteceu no Shopping Tucuruvi, na Zona Norte, em 4 de janeiro.  O tumulto fez com que o centro de compras encerrasse o expediente três horas mais cedo. Não foram registrados furtos ou prisões.

O Shopping Metrô Itaquera voltou a ser palco de um “rolezinho”. No sábado (11), a Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os participantes. Segundo a Polícia Civil, foram registrados dois roubos e um furto. Durante a confusão, ocorreu ainda um roubo na estação Itaquera do metrô, que fica junto do shopping. Uma pessoa foi presa.  Um adolescente foi detido e colocado à disposição da Vara da Infância e da Juventude.

No sábado (11), encontros semelhantes também foram marcados pelas redes sociais no Shopping Campo Limpo e Shopping JK Iguatemi. Ambos obtiveram liminares na Justiça que limitavam a entrada de jovens no centro de compras.

Temendo o impacto negativo nas vendas, a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) afirmou que shoppings escolhidos por jovens como pontos de novos “rolezinhos” entrarão na Justiça para impedir os eventos. Nesta segunda-feira (13), o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, afirmou ao G1 que haverá ações por parte dos shoppings, em parceria com a Alshop. “Vamos ter mandados de segurança e os shoppings vão fazer um esquema de segurança”, disse.

Os shoppings Itaquera, Campo Limpo e JK Iguatemi ganharam liminares neste fim de semana impedindo as reuniões, sob pena de multa de R$ 10 mil para quem infringisse a determinação.

Polêmica: visões distintas
Lojistas, políticos e organizadores estão em lados opostos quanto ao futuro dos encontros e suas origens. A Alshop pede que a Prefeitura de São Paulo ofereça espaços, como o Sambódromo do Anhembi. O prefeito Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira  que não deve empurrar o problema para a Prefeitura e que é preciso discutir a cidade. “Não adianta ficar [dizendo]: cuida dessas pessoas que o problema é seu. É a cidade que precisa ser discutida e nós precisamos evoluir no sentido de abrir espaços públicos para que as pessoas possam usufruir mais da cidade”, disse Haddad.

O sociólogo Fred Lúcio, da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM-SP), faz uma análise semelhante à do prefeito Haddad. Ele observa que os jovens que participam desses encontros têm “uma demanda reprimida por lazer, por diversão, por cultura e uma capacidade muito forte de mobilização”.

Organizador de um dos “rolezinhos” no Shopping Internacional de Guarulhos, Jefferson Luís, de 20 anos, defendeu, em entrevista ao G1 em dezembro, que o evento não tem ligação com o funk, mas com a falta de opções de lazer. Ele também negou que seja uma forma de protesto contra a opressão dos bailes funks nas ruas da cidade. “Não seria um protesto, seria uma resposta à opressão. Não dá para ficar em casa trancado”, disse.
Teor da liminar
Na sexta-feira (10), a juíza Daniella Carla Russo Greco de Lemos concedeu liminar impedindo o rolezinho no Shopping Itaquera e estipulando multa de R$ 10 mil para os jovens que desrespeitassem a decisão.
Em seu despacho, ela aponta que a Constituição prevê direito à livre manifestação, mas que ela deve ser exercida com limites. “A Constituição Federal de 1988 estabeleceu diversas garantias fundamentais em seu art. 5o. Entre elas a da livre manifestação, o direito de propriedade, a liberdade do trabalho. O art. 6o, garante, ainda, como direito social, a segurança pública, o lazer, dentre outros. O direito à livre manifestação está previsto na Constituição Federal.”, afirma a juíza.

“Contudo, essa prerrogativa deve ser exercida com limites. Ora, o exercício de um direito sem limites importa na ineficácia de outras garantias. De fato, se o poder de manifestação for exercido de maneira ilimitada a ponto de interromper importantes vias públicas, estar-se-á impedido o direito de locomoção dos demais; manifestação dem Shopping Center, espaço privado e destinado à comercialização de produtos e serviços impede o exercício de profissão daqueles que ali estão sediados, bem como inibe o empreendedorismo e a livre iniciativa. Saliente-se que os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa são fundamentos da República”, argumentou a magistrada.

Fonte: site globo.com

PROPOSTA: Redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: O rolezinho como movimento social nascido nas periferias de grandes centros urbanos

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